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  • de_somayama

Desistir já foi uma opção no seu processo de estímulo à autoestima?


Eu poderia começar esse texto citando clássicas frases motivacionais como “O segredo da vida é não desistir”. Mas não, não é assim tão simples. O ato de desistir é tão dolorido quanto o de insistir. Ele expõe medos e anseios, desejos frustrados, cobranças internas.

Desistir traz um alívio ilusório e temporário, nos tira da exigência de continuar porque que estava difícil, mas não apaga o sentimento de fracasso. Pois bem, então quando o assunto é emagrecer, porque colecionamos tantas desistências. Já pensou nisso?

Ao longo da minha experiência com emagrecimento (e devo acrescentar que tenho muito mais anos de vivência como obesa do que como terapeuta nesse assunto), eu entendi que acabamos desistindo quando enfrentamos essas fases:

1) Buscamos o emagrecimento na base do sofrimento, seja com restrições, limitações, esforço demasiado, ou por cobranças em excesso, autopunição e eterna vigília.

2) Não conseguimos enxergar resultado, apesar do “grande esforço”.

3) Começamos a acreditar que o custo para chegar lá é mais alto que nossa capacidade ou a própria recompensa.

4) Colocamos muita ansiedade e expectativa na recompensa futura (quilos a menos, corpo mais durinho, biquíni na praia...) e esquecemos de apreciar o processo em si.

5) Por fim, começamos a criar justificativas para não continuar, iniciamos um complexo procedimento de autos sabotagem, nos convencemos de que não vale a pena (ou não merecemos) e DESISTIMOS.

Durante um tempo eu analisei meus próprios fracassos do passado e estudei o sistema de crenças de dezenas de pacientes. Essa grande observação me levou a seguinte provocação: o gatilho da desistência não estaria na crença de que é preciso SOFRER para emagrecer?

Tem que LUTAR com a balança? Como seria se você pudesse emagrecer sem renunciar a tudo nem se obrigando a fazer atividades que não gosta? Não ter que se sentir sendo castigado por querer ser mais magro?

Certa vez eu disse isso, e ouvi do paciente: “Mas assim eu não emagreço!”.

Bingo! Aí está a crença que limita o pensamento!

Pessoas que tem problemas com o excesso de peso vivem sempre nos extremos. Ou fazem tudo ou não fazem nada. A maioria nunca tentou a linha do meio, mal sabe que ela existe. Eu chamo essa “linha do meio” de EQUILÍBRIO (e nem sempre ele está bem no meio).

Vida saudável não tem que ser perfeita. Aliás não existe essa perfeição e, se existisse, não seria nada saudável, não acha? Na VIDA REAL tem a vida corporativa, almoços de confraternização, festa, happy hour com amigos, churrascos e férias. Não dá para fugir a vida toda do brigadeiro. Então, que tal aprender a conviver com ele e mesmo assim emagrecer?

Emagrecer não é sobre deixar de comer, não é sobre ficar o tempo todo classificando o que é bom ou ruim para sua dieta. E também não é sobre sair comendo tudo sem limite, como se estivesse se despedindo da comida. É sobre saber que tudo pode, desde que seja com consciência, proporção e frequência equilibradas. É sobre ter opções e QUERER FAZER ESCOLHAS MELHORES (e não por obrigação!). Isso é a LINHA DO MEIO!

Então, se você quer iniciar seu processo de emagrecimento, conte sim com a motivação e com o esforço. Serão a CONSCIÊNCIA e a CONSTÂNCIA que permitirão você a chegar lá sem desistir.

Conte-me como foram suas tentativas anteriores e como pretender seguir desta vez.

Por Dê Somayama

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